terça-feira, 1 de setembro de 2009

Conheça James Fixx, autor do mais importante livro sobre corridas

Bah texto show de bola que o blogueiro Frank publicou em seu blog www.nacorrida.blogspot.com e além do mais, um puxão de orelha pra quem (como eu) ainda não procurou um especialista para um check up. Ótima leitura.

Conheça James Fixx, autor do mais importante livro sobre corridas
Fonte: Revista O2

Após sofrer um infarto correndo, James Fixx virou um símbolo da necessidade de cuidados e acompanhamento médico para a atividade

Ele não conquistou medalhas olímpicas; não é queniano ou etíope nem dono de recordes mundiais. O editor James Fixx pesava cem quilos e virou lenda ao mudar radicalmente de vida com a corrida, perder 30 quilos, relatar todo processo em um livro considerado best-seller nos Estados Unidos e, fatalmente, morrer vítima de um infarto, durante um trote matinal. O ataque fulminante foi provocado por uma arteriosclerose não cuidada.

Assim como Fidípedes, que em 490 a.C desempenhou perfeitamente seu papel na história, correndo de Maratona a Atenas para dar a notícia da vitória grega sobre 30 mil persas, e depois morreu, Fixx estimulou milhares de americanos a trocar o sedentarismo por uma vida saudável e, após a trágica morte, em 1984, médicos e corredores em todo mundo iniciaram uma revolução em prol da saúde e da prática da atividade física com acompanhamento médico. Preocupação que é absoluto consenso hoje.

Na época, muitos amadores desistiram de levar adiante a corrida, alarmados com o fato de um corredor, autor de um livro conceituado sobre o assunto, morrer correndo. Coube ao médico Kenneth Cooper, no mesmo ano da morte de Fixx, desmistificar o tema –e a morte de Fixx– com a publicação “Correndo Sem Medo”.

Fixx foi um dos muitos americanos que começaram a correr na década de 1960. Nasceu em Nova York e trabalhou como editor nas revistas Saturday Review, Life e Audience. Também foi colaborador da Playboy americana. Foi membro do clube Mensa International, para intelectuais com elevado nível de Q.I. e, por conta disso, desenvolveu três coleções de jogos para estimular as pessoas “super inteligentes”.

Fixx era ágil com a escrita e a inteligência, mas o corpo estava parado havia anos. Em 1967, ele estava gordo, fumava dois maços de cigarro por dia e tinha um estilo de vida muito pouco saudável.

“Tinha trinta e poucos anos e trabalhava em uma grande revista em Manhattan. Uma das minhas funções era receber escritores para almoços e jantares. Com Martini demais e exercícios de menos, meu peso foi aumentando, grama por grama de flacidez, dos 77 quilos da adolescência a 97 quilos bem robustos”, relatou Fixx no livro “O Guia Completo de Corrida”.

A tentativa de driblar a hereditariedade

Além do excesso de peso, Fixx carregava o histórico de infarto na família. O pai dele, Calvin, sofreu um ataque cardíaco aos 35 anos e morreu aos 42 após um novo ataque. Fixx estava determinado a evitar o mesmo destino. “Até ele morrer viveu como um inválido...ficava quieto, lia, escutava músicas e colocava as coisas em ordem. Nada mais do que isso”, relatou o editor. A imagem do pai como inválido representava uma vida apenas um pouco melhor que a morte.

Fixx observava que a proliferação de pós-cardíacos à procura de uma atividade física indicava o que muitos médicos já estavam convencidos: a prática regular de atividade física, associada a bons hábitos alimentares, reduz a morbidez e a morte por doenças isquêmicas. Por isso, em 1967, aos 35 anos, depois de um “dilaceramento na batata da perna direita”, na tentativa de rebater uma jogada em uma partida de tênis, Fixx decidiu abandonar o sedentarismo, os cigarros e o excesso de peso. Esperou a dor passar. “Não foi um ferimento sério”, disse. E começou a correr. Mas ele cometeu uma imprudência que seria fatal: não consultou um médico.

“Antes, eu só correra por ocasião do treinamento básico militar... e detestara. Ainda posso ouvir a voz de um sargento alto e dispéptico do Texas, correndo ao nosso lado e bufando ‘um, dois, três, quatro’. Correr no exército era tudo que eu conhecia, e por isso meti um par de botas pesadas, saí de casa e comecei a me arrastar pela calçada.”

Ao começar a correr, Fixx foi percebendo, apesar do sofrimento, que alguma coisa estava mudando na vida dele. “Embora as coxas doessem e os pulmões ardessem, eu continuei a correr”, relatou no livro. Convencido dos benefícios psicológicos da corrida, ele resumia: “Correr é viver. O resto é apenas esperar a morte.”

Para a mudança surtir efeito, o editor deixou Nova York rumo à comunidade suburbana de Connecticut, local no qual correr era muito mais agradável. Ele gostava da região, cercada de estradas rurais, córregos e rios, campinas e bosques. Um jovem vizinho que acabara de dar baixa do Corpo de Fuzileiros Navais estava em ótima forma física e isso agradava Fixx. “Se ele não exigia demais, geralmente conseguia acompanhá-lo.”

A primeira vitória

Quando soube que haveria uma prova de 8 km na cidade, Fixx saiu de casa e tentou correr a distância exata do percurso da competição. Ao fim, sentia-se como uma lesma, mas conseguiu completar os 8 km. Foi o suficiente para preencher a ficha de inscrição, colocá-la no correio e esperar ansiosamente pelo dia do evento. “Passei a treinar arduamente, correndo todos as manhãs, antes de sair para o trabalho.”

Enquanto aguardava o sinal de largada, Fixx olhava em volta, via cerca de 200 jovens corredores em plena forma física. Havia também alguns homens mais velhos, de 60 anos, além de mulheres e crianças. “Com um pouco de sorte, poderia não fazer uma figura tão feia”, pensou.

No decorrer da prova tudo chamava atenção do estreante. Ele não entendia como os corredores do pelotão já estavam virando a esquina, antes mesmo dele dar uma dúzia de passos. Sentiu a dificuldade aumentar quando se deparou com uma ladeira. E viu mulheres e crianças começando a ultrapassá-lo. “Não demorou muito para que eu fosse o último.”

Após concluir a primeira prova, Fixx começou a ler sobre o assunto, e aprendeu o que era treinar. No livro que escreveu, relata que, se a pessoa fizesse tudo direito, não apenas se tornaria mais veloz e mais saudável, mas também ficaria mais jovem, tanto no sentido psicológico como no fisiológico. A única coisa que Fixx esqueceu, antes de deixar toda essa euforia tomar conta da nova rotina de vida, foi de levar a sério o conselho que o doutor Cooper lhe dera: “é preciso fazer um check up clínico”.

Best-seller da corrida

Aos 45 anos, dez anos após o estiramento da batata da perna e o início da corrida, Fixx lançou o livro “O Guia Completo da Corrida” (“The Complete Book of Running”, na versão original). Tornou-se conhecido internacionalmente por popularizar a corrida e demonstrar os benefícios da prática regular para a saúde. Casa de ferreiro, espeto de pau: no livro, Fixx também ressaltava a importância do acompanhamento médico em qualquer atividade física realizada.

O Guia vendeu 500 mil cópias nos Estados Unidos e, em menos de nove meses, alcançou o primeiro lugar na classificação do jornal New York Times. Inspirou milhões de pessoas e, até hoje, é referência para técnicos e treinadores.

O último trote

Na época, fim da década de 1970, muitos autores de livros sobre medicina esportiva e saúde acreditavam que os problemas cardíacos eram resultado do agito da vida urbana e recomendavam a corrida como cura. Inclusive Fixx. De acordo com os escritores –muitas vezes médicos–, correr não é meramente um exercício físico, mas um estilo de vida. E mais: sugeriam que o corredor escutasse seu próprio corpo, em vez de palavras dos especialistas.

Seguindo essa filosofia médica, de que o corpo alertaria ao sinal de qualquer problema, Fixx seguiu com a corrida, conquistando, em 1969, o primeiro lugar na classificação por faixa etária em uma corrida de 10 km em Connecticut. Também completou seis maratonas de Boston.

Amigos o descrevem como alguém que usou o dom da inteligência que possuía para trocar a vida sedentária –e o colesterol de 250 mg/l de sangue– por uma vigorosa boa-forma, correndo 16 km por dia. Assim, em 20 de julho de 1984, Fixx acordou e, após comemorar a vitória sobre a irmã Kitty Fixx Bower, em um jogo de tênis no dia anterior, saiu para um trote matinal pela estrada 25, em Hardwick, Vermont. Naquela manhã, o coração do escritor e jornalista de 52 anos não resistiu ao infarto fulminante.

Depois da morte de Fixx, amigos e familiares disseram que ele se queixava de “dores no peito enquanto corria” e “pontadas no coração”. Ainda assim ele se recusava a fazer exames cardíacos, apesar dos pedidos da esposa Alice Cashman Fixx e dos inúmeros convites do médico Kenneth Cooper.

Aparentemente Fixx preferiu escutar o (absurdo) conselho de um amigo médico que lhe disse que exames médico anuais eram perda de tempo.

A autópsia revelou estrago em três partes do coração – evidência de quem sofreu moderados ataques do coração semanas antes da morte. Não uma, mas três principais artérias estavam bloqueadas em 95%, 85% e 50%. Isso, segundo médicos, revela que o infarto poderia ter sido controlado, caso Fixx fizesse exames de rotina para o controle dos danos que a vida sedentária e a hereditariedade causaram ao coração.

O filho John, diretor de uma escola em Connecticut, relatou, em entrevista ao jornal americano New York Times, como seria a visão do pai sobre as décadas após sua morte. “Meu pai ficaria orgulhoso de ver a evolução das mulheres corredoras de longas distâncias, os mais velhos redefinindo o significado da idade e como os Jogos Olímpicos ampliaram os limites humanos.”

Revolução em prol da saúde

Muitos americanos estavam tão impressionados com a incrível popularidade das corridas de rua, como pela morte repentina de Fixx. Nunca se falou tanto da importância dos exames médicos e dos check ups clínicos para os que querem ter e manter uma vida saudável por longos anos.

Naquele mesmo anos de 1984, para desmistificar o medo que muitos atletas ficaram de morrer correndo, Cooper escreveu o livro “Correndo Sem Medo”. Na obra, o médico, fez um estudo da morte de Fixx e orientou o leitor a fazer de forma prática e segura qualquer tipo de exercício em todas as idades. Cooper comentou também sobre os riscos que os atletas entusiastas correm ao ultrapassarem perigosamente os limites, de forma inadequada e sem qualquer acompanhamento médico.

Conquistas:
- Concluiu no pelotão de amadores seis maratonas de Boston
- Foi o primeiro lugar no campeonato de Connecticut, em 1969, na 30 a 39 anos
- Correu o equivalente a uma volta à Terra pelo Equador
Fonte: “Guia Completo de Corrida”

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